O Freamunde manifestou esta terça-feira, em comunicado, a sua indignação em relação à posição da Associação Portuguesa e Árbitros de Futebol (APAF) sobre as suspeitas de viciação do jogo entre os ‘capões’ e o Penafiel, da 38.ª jornada da 2.ª Liga, disputado no domingo.
Na sequência do comunicado emitido pela APAF em defesa do árbitro Hélder Malheiro, cujas decisões no Freamunde-Penafiel (1-2) se entrelaçam com a denúncia de um possível caso de viciação de resultados, a SAD do Freamunde, liderada por Miguel Azevedo Brandão, emitiu uma nota de imprensa a dar conta da “indignação” que o documento provoca no clube.

O Freamunde contrapõe à definição do caso, por parte da APAF, como um “episódio triste e desesperado” o mero “cumprimento da responsabilidade cívica de qualquer cidadão” de “denunciar às autoridades qualquer situação que indicie comportamento criminoso”.
“Em momento algum foi dito às autoridades que a equipa de arbitragem estaria envolvida na possível combinação de resultados”, esclarece o Freamunde, que recorda ainda que “foi um conjunto de decisões da equipa de arbitragem que levou a que o resultado do jogo” fosse aquele previamente anunciado através de SMS para a testemunha que contactou o clube.
O Freamunde, 20.º classificado da 2.ª Liga, a lutar para fugir à zona de despromoção ao Campeonato de Portugal, defende ainda que a forma de a APAF defender “todos” os árbitros seria “colocar-se do lado das autoridades”. O clube conclui que, até ao esclarecimento do sucedido, por parte das autoridades, “todos serão considerados inocentes, mas todos deverão ser considerados suspeitos”.
O jogo Freamunde-Penafiel está a ser investigado pela Polícia Judiciária, depois de o clube local ter suspeitado de viciação do resultado. No final do encontro, a Guarda Nacional Republicana (GNR) identificou várias pessoas, incluindo a equipa de arbitragem liderada por Hélder Malheiro.
Perante as suspeitas levantadas, a APAF divulgou uma nota de imprensa para defender os juízes da partida. “Aproveitamos para relembrar os mais desatentos que os árbitros e respetivos dirigentes são os únicos agentes desportivos obrigados a entregar, anualmente, um Registo de Interesses, onde consta toda a informação financeira e patrimonial relativa ao ano anterior. Essa situação, patrocinada pela lei de forma que entendemos ser inconstitucional, não foi estendida a qualquer outro agente desportivo”, pode ler-se.
A APAF acrescentou ainda: “Se assim fosse, como entendemos que devia ser, seguramente não teríamos assistido aos inúmeros casos relatados de alegada viciação de resultados e de apostas ilegais atribuídos a outros protagonistas no futebol que não a árbitros.”